quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Da Imaculada Conceição (I): Da sua conveniência lógica no plano da Salvação

 

Por José Ibiapina

Desde os primórdios do cristianismo, tem-se o entendimento de que todos os homens e mulheres nascem com a mancha do pecado original, resquícios do pecado de Adão, conforme diz o salmista: “Eis que NASCI NA CULPA, minha MÃE concebeu-me no pecado. (Salmo 50, 3)”.

Segundo a teologia católica, porém, tal regra, assim como outras regras bíblicas, apresentou uma exceção: a concepção de Maria, que viria a ser a mãe de Jesus. Segundo esta perspectiva, embora concebida como todos os seres humanos, no ato da concepção, Maria foi privada da referida mancha, mediante um efeito retroativo dos Sacrifício Perfeitíssimo de Cristo, conforme se demonstrará no segundo artigo dessa série

Diferentemente do que muitos pensam, a Imaculada Conceição de Maria não gira em torno dela própria, mas sim de Jesus. 

Jesus é, a um só tempo, perfeitamente homem e perfeitamente Deus. Por isso, em diversas passagens, é chamado tanto como Filho do Homem, como Filho de Deus (Lc 6,5, Lc 17,30, Mt. 18,11, I Jo 5, 12, Mt 16,13-19). No contexto dessa união perfeita, a pureza do Ventre Mariano, que nunca existiu em nenhuma das descendentes de Eva, surge como pressuposto necessário à encarnação do Verbo Divino, uma vez que o próprio Deus, de onde provém toda a pureza, não poderia ter sua carne gerada de uma carne impura, afinal, conforme a Escritura: "Pode o puro vir dum ser impuro? Jamais!" (Jó 14.4).


Nesse sentido, é preciso lembrar que TODA carne de Cristo, ou seja, o seu material genético, a sua matéria, veio de sua mãe, Maria, à medida que não teve pai carnal, já que foi concebido pelo Espírito Santo. A carne (matéria) de Jesus é recorrentemente utilizada pelo Apóstolo Paulo para ligá-lO à realeza davídica (conferir II Tim 2, 8 e  Rom 1, 3) [1]. O Apóstolo, inclusive, arremata que Cristo, descendente dos Patriarcas SEGUNDO A CARNE, é Deus bendito para sempre (Rm, 9,5). A Cristo, corresponde o Deus-Filho Encarnado, em corpo, alma e Espírito, de modo que, se Cristo é bendito para sempre, o é  na alma e no espírito, mas também na carne. 

Daí se pergunta, retoricamente: O material genético que liga Cristo em sangue, à raiz de Davi, provindo de sua Mãe Maria, poderia estar, ou algum dia ter sido contaminado pelo pecado? Seria ainda apropriado que fosse purificado, mesmo trazendo a lembrança de ter um dia sido impuro? O centro da Doutrina da Redenção é que Cristo veio para aniquilar o pecado. Ora, aquele que veio destruir um inimigo, não pode trazê-lo consigo na carne, nem na memória.

O Espírito Santo é DEUS, e DEUS não é inimigo de si mesmo, razão porque, não poderia na concepção do Cristo, interagir em harmonia com a carne pecadora, e assim, o pecado dessa mulher e a santidade plena do Espírito Santo atuarem juntos na concepção do Verbo.

Não haveria vitória sobre o pecado se o Cristo tomasse na sua Encarnação uma carne pecadora. E mesmo Deus a purificando, não convinha utilizar um elemento de origem corrompida e manchada. O Mistério da Encarnação do Verbo foi ato soleníssimo, puríssimo. Nele, todo Poder de Deus se manifestou Extremo e Inigualável. Na Humanidade do Cristo não caberia sequer a lembrança de um dia ter sido nodoada pela ilicitude, razão porque, a cedente do material biológico da Encarnação, haveria de ser restaurada, e desde sua origem isentada por inteira do pecado. Sendo Deus-Filho o extremo da Justiça e da Luz, não poderia ter herdado sua carne de uma carne manchada pelo pecado, uma vez que, nos termos da Escritura, não é possível a união entre justiça e iniquidade, luz e trevas (II Cor 6, 14). 

Conclui-se que a Imaculada Concepção Maria, não por méritos próprios, mas por gozo antecipado dos méritos de Cristo,  é pressuposto lógico necessário à pureza da carne de Jesus, a fim de que, em seu corpo, pudesse habitar a plenitude da Divindade (Cl 2,9). Isso porque "não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons" (Mt 7,18), sendo, embora por causas e naturezas diferentes, no caso de Jesus e Maria, tanto a árvore quanto o fruto puros, conforme Isabel, cheia do Espírito Santo, direcionando-se a Maria, SENTENCIA: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre" (Lc 1, 41-42).

[1] Este é um dos argumentos, inclusive, para se defender que, além de José, Maria também era da tribo de Davi, uma vez que José não concedeu a Jesus a descendência "segundo à carne". Daí, porque, possivelmente, as genealogias de Jesus apresentadas em Mateus e Lucas são diferentes: uma seria a do ramo de José e a outra, do ramo de Maria. 
FONTES: 
-  "CRISTO TEVE QUE SER SALVO DE UMA HUMANIDADE PECADORA QUE ASSUMIU DE MARIA?". Disponível em: https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com/2018/05/se-maria-tinha-pecado-cristo-teve-que.html
- "
A CORREDENÇÃO E A IMACULAÇÃO EM MARIA". Disponível em: https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com/2016/12/a-corredencao-e-imaculacao-em-maria.html?q=imaculada

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