domingo, 10 de maio de 2020

Maria, Mãe de Deus: Entenda porque o dogma gira em torno de Cristo

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Breve Catequese Católica
Por José Ibiapina

A denominação “Théotokos” (Mãe de Deus) foi dado à Maria durante o Concílio de Éfeso (431), na Ásia Menor, embora encontremos desde o século segundo menções a essa nomenclatura.

Apesar de ter sido um consenso na Igreja Antiga, do Ocidente ao Oriente, e até entre os principais reformadores protestantes, Martilho Lutero e João Calvino, algumas pessoas, estudiosas da bíblia e bem intencionadas, sentem certa dificuldade em aceitar tal denominação. Contudo, tais pessoas, na maioria das vezes, compreendem de modo errado o dogma, achando que os católicos afirmam que Maria teria existido desde sempre, teria criado Deus ou Deus fosse a ela subordinado. Não é disso que se trata, conforme explicaremos adiante.

Primeiramente, é preciso entender o dogma da maternidade divina de Maria não a tem como centro, mas sim Jesus, o Deus-Filho. 

Com efeito, a Bíblia, a Tradição e o Magistério da Igreja nos ensinam, desde os primeiros séculos, que Jesus não é meio homem e meio Deus, mas sim, a um só tempo, perfeitamente homem e perfeitamente Deus: é a chamada doutrina da união hipostática [1]. Segundo esta compreensão,  Cristo, embora possua duas naturezas, constitui-se em uma única pessoa, sendo esta uma Pessoa Divina, pertencente à Trindade. 

Diversas passagens das Escrituras relatam que Jesus é perfeitamente Deus. Citamos algumas:

- O Evangelho segundo João diz que "o Verbo era Deus", para logo depois afirmar que "o Verbo se fez carne" (Jo 1)
Jesus perdoava pecados (Marcos 2:5-6)
- Jesus disse que existia desde sempre: "antes de Abraão Eu Sou" (João 8:28; João 8:58-59); 
 - Jesus disse que Ele e o Pai eram um (João 10:30-33)
- O apóstolo Paulo afirma que Jesus é Deus (Filipenses 2:5-7)
- Isaías profetiza que o menino que haveria de nascer é Deus (Is 9,6)
- O apóstolo Tomé declara que Jesus é Deus (João 20:28)
- No livro do Apocalipse, um anjo instruiu o Apóstolo João para que adorasse a Deus (Apocalipse 19:10). Nas Escrituras, várias vezes Jesus recebe adoração (Mateus 2:11; 14:33; 28:9,17; Lucas 24:52; João 9:38).

Por outro lado, Jesus também é homem: "O Verbo se fez carne", sendo tal carne humana, uma vez que ser humano é aquele nascido de mulher, conforme relata a Bíblia acerca do Cristo: "Uma virgem dará à luz um filho" (Is 7,14);  "Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher" (Gl. 4.4). 

Convinha, para a redenção da humanidade, que o Filho de Deus se fizesse homem, pois apenas um ser nascido sob a lei, poderia salvar aqueles que estavam sob a lei (Gl 4,4-5). Os anjos, os animais e Deus não estão sujeitos à lei. Apenas os homens. 

Por isso, o Cordeiro de Deus que morreu na Cruz era perfeitamente homem, pois relata o apóstolo que assim como a morte veio por um homem, assim também veio a ressurreição (1 Cor 15,1), ao passo que é também perfeitamente Deus, pois n'Ele habita a plenitude da Divindade (Col 2,9).

Para ser perfeitíssimo mediador entre Deus e os homens, era necessário uma união perfeitíssima entre a humanidade e a divindade: o Cordeiro, além de ser homem, precisava ser também divino, caso contrário não seria perfeito, pois só Deus é perfeito. Por isso, afirmamos que Deus experimentou a morte na cruz, em razão da união perfeita entre as duas naturezas. Ora, se Deus morreu, porque não poderia ter nascido, se a morte tem como pressuposto o nascimento?

Assim como, misteriosamente, o que é Eterno pôde morrer na cruz, num acontecimento que nunca voltará a se repetir, temos que assumir que o Eterno também nasceu de uma mulher, de modo também misterioso, extraordinário, caso contrário, entraríamos em contradição, defendendo a perfeita união das duas naturezas de Cristo na cruz, e uma união imperfeita no nascimento. Ora, ou a união entre as duas naturezas de Cristo é perfeita ou não é. Como cristãos, acreditamos que é uma união perfeita, se não o seu sacrifício não seria perfeito. E se a união é perfeita têm de ser perfeita desde a concepção de Jesus pelo Espírito Santo no ventre de Maria, sob pena de se admitir que à carne de Jesus teria sido transmitido o pecado original (Sl 51,5), o que nós sabemos que não ocorreu.

Ademais, precisamos saber que mãe não é mãe apenas da parte que gera, mas sim mãe da pessoa gerada. Por exemplo, todo ser humano é formado por corpo, alma e espírito: o corpo gerado pelos pais; a alma e o espírito dados por Deus. Sua mãe é mãe apenas do seu corpo morto? Ou ela é sua mãe de você vivo, com alma e espírito, embora estes dois últimos tenham sido dados por Deus?

Em outro exemplo: sua mãe é mãe apenas do código genético fornecido por ela, ou é sua mãe por completo, mesmo não tendo fornecido a totalidade do material genético? A resposta é óbvia, uma vez que mãe é mãe de quem (pessoa), e não de quê (da parte que forneceu para gerar a pessoa).

É por isso que Maria é chamada por Mãe de Deus, pois é mãe da Pessoa do Senhor Jesus (Lc 1,43), o qual, embora possua duas naturezas, é pessoa Divina. Por mais que possa parecer, num primeiro momento, contrário à logica dos homens que a criatura seja mãe do criador, também é contrário à lógica humana que uma virgem fique grávida fecundada por um espírito; que o Eterno faça-se homem, limite-se no tempo e morra etc. Para Maria ser mãe de Deus,  não é necessário que seja uma "deusa" ou que exista desde sempre. Não se trata disso! Sabemos que ela é uma mulher e que é uma criatura. Contudo, precisamos compreender que, assim como a cruz que matou o Deus-Filho não era eterna nem era um deus, assim também Maria não é. Eis o Mistério trazido pelas Escrituras! 

Assim, a Maternidade Divina de Maria deve ser interpretada segundo a lógica da Revelação. Por isso, na lógica da Revelação Bíblica, negar que Maria é mãe de Deus é dizer que Jesus não é perfeitamente homem e perfeitamente Deus desde a sua concepção no ventre dela; é dizer que a união das duas naturezas de Cristo não é perfeita e que Ele não é Perfeito Mediador entre Deus e os homens. O Dogma da Maternidade Divina de Maria, portanto, é um dogma Cristocêntrico. 

Referências

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