segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Segunda Leitura da Epifania (Ef 3,2-3.5-6): São Paulo e o plano da Catolicidade

Texto retirado da página Papista, no Facebook 
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Segunda Leitura da Epifania (Ef 3,2-3.5-6): São Paulo e o plano da Catolicidade

A segunda leitura de hoje nos revela a Graça imensurável da vinda de Cristo. É de bom grado, porém, mergulhar um pouco mais na segunda leitura para entender por que a Igreja a entendeu como fundamental para a Solenidade da Epifania do Senhor.

São Paulo é conhecido por suas digressões. Em algum momento, por causa das circunstâncias locais, ele precisa explicar algumas coisas. Especialmente o contexto da Nova Aliança; o cumprimento messiânico etc. Ou seja, como se foi da Antiga Aliança para a Nova; como algumas coisas foram cumpridas e elevadas; outras, menores, foram abandonadas, mas sem perder a Lei etc.

Nesse contexto, São Paulo interrompe a sua carta aos Efésios para explicar aos novos cristãos como o que antes era restrito a Israel, agora é universal, Católico (Ef 2,11-22). A circuncisão era o símbolo da Antiga Aliança. Uma marca na carne, separando os escolhidos para levar a bênção de Deus até a chegada do Messias. Daí por diante, a circuncisão seria cumprida e elevada no Batismo, uma marca do Espírito Santo que limpa efetivamente o homem.

Cristo, diz São Paulo, é a nossa paz (Ef 2,14). A expressão usada é 'eiréne' (εἰρήνη), que se lê 'Iréne' (de onde vem o nome Irene: paz ou 'aquela que traz a paz'). São Paulo sempre usa essa expressão em um contexto religioso, litúrgico. Ele escreve o que ele diria como 'Shalom' (שָׁלוֹם), que tem um significado mais abrangente, usado em seu cumprimento "a Paz de Cristo" que Cristo é a plenitude da paz; nEle nossa paz é completa como em nada mais no mundo.

Ainda nesse verso, o apóstolo diz que Cristo derrubou o muro que nos dividia. Enquanto alguns autores acreditam que São Paulo falava do próprio Templo, isso é improvável. Pela própria data, não parece uma referência à queda do Templo (que ocorreria depois do martírio de São Paulo), nem uma imagem do vazio do Templo. Parece ser uma referência simbólica ao muro que dividia a corte dos gentios e as câmaras internas, apenas para os judeus.

Além disso, poderia ser uma referência às leis menores, pois São Paulo chama o muro de 'a cerca da divisão' (ou da inimizade, hostilidade). Muitos comentários rabínicos chamavam as leis mosaicas de 'cerca' contra as impurezas, os costumes idólatras vindos de fora. O judaísmo sempre foi bastante literal e o muro era também a representação da 'cerca' que protegia a parte interior do Templo das impurezas.

Em Cristo, diz São Paulo, esse muro caiu. Não há mais motivo para inimizade. Somos todos chamados no mesmo plano divino que agora foi feito pleno em Cristo.

Esse é o contexto para a digressão paulina. Explicar aos novos convertidos gentios do que tanto se fala no Evangelho sobre cumprir as leis; e o que tanto se discute na Igreja que, em seus primeiros passos, decidia como manter a Lei, mas retirar as leis menores (At 15, o Concílio de Jerusalém; e quase toda carta paulina trata, de um jeito ou de outro, disso).

É o que ele diz no verso seguinte sobre "abolir a lei". A expressão é 'katargéo' (καταργέω), que dá um sentido terminal, como 'finalizar', 'tornar nula'. Não algo que um dia pode ser abolido legalmente, mas voltar depois. Não! Nulificada! Terminada para sempre!

A passagem destacada na Solenidade da Epifania, então, vem trazer o plano da plenitude da paz em Cristo. Algo preparado para judeus e gentios, homens e mulheres, homens livres e escravos, pois somos todos um em Cristo (Gl 3,28), descendentes de Abraão segundo a promessa (v.29).

São Paulo não está se gabando quando diz que a ele foi dada a administração da Graça de Deus para os gentios. Administração aqui é "oikonomia" (οἰκονομία), a economia do lar. Ou seja, São Paulo está transmitindo o que ele entendeu do plano de Deus: ele, São Paulo, era a pessoa perfeita para explicar o cumprimento messiânico aos gentios.

Saulo de Tarso era um dos grandes entendedores da Lei do seu tempo, treinado sob o maior rabino da época, Gamaliel. Mais uma vez, Deus usaria alguém imperfeito para "administrar" Seu plano perfeito para nós, como é até hoje na Igreja. Não havia ninguém melhor equipado do que São Paulo para explicar o plano de Deus. Especialmente para os gentios. Era o que Saulo de Tarso não gostaria, mas foi para onde Deus enviou São Paulo.

Não era pouca a confusão entre judeus e gentios convertidos, como se vê pelas cartas paulinas. A maioria dos primeiros cristãos era de judeus, mas eles logo se tornavam minoria. As decisões sobre o que saía, o que ficava, eram difíceis de explicar. Junte a isso influências de outros grupos e quem poderia explicar como o Novo Testamento estava contido no Antigo, e o Antigo Testamento se cumpria no Novo? Como garantir que Jesus Cristo, e não um herege qualquer que interpretava as Escrituras como lhe apetecia, era o Messias prometido?

Esse é o Mistério a que São Paulo se refere na Liturgia de hoje. A vinda do Senhor que a tudo cumpria. Aquilo que foi profetizado e passado pelos apóstolos. Sem entender essa relação; sem entender a História da Salvação; o cristianismo seria também um apanhado de leis e escolhas aleatórias sobre quem é o melhor intérprete, qual é a melhor Liturgia etc. O que era um Mistério, foi Revelado em Cristo.

Em Cristo e a Sua Boa Nova, os judeus e os pagãos se unem à mesma promessa. O plano de Deus é a Igreja Católica, que une a todos em comunhão sob a administração daqueles que, embora imperfeitos, são parte do plano. Eles que carregam o fardo, a Graça de unir a todos a um só Depósito da Fé.

Um plano realizado apenas parcialmente hoje, mas totalmente na plenitude da Paz de Cristo, quando Ele nos chamar para o Banquete Nupcial do Cordeiro. Lá, quem sabe, poderemos agradecer também a São Paulo pelo trabalho de nos ensinar que somos chamados à mesma herança, membros do mesmo corpo (Ef 3,6).

Tudo o que temos que perceber é que isso se cumpre nessa pequena criança, a planitude da Paz encarnada.

São Paulo, apóstolo dos gentios, rogai por nós!

Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

um Papista

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