segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

De Monsenhor Expedito: O povo deve ser sujeito e agente do seu desenvolvimento

Por Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros (Profeta das Águas)

Comecei a sentir na pele o que significa sofrer pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Era um sofrimento diferente que, sem ser masoquismo, dava alegria, porque era pelos outros, tal como os Apóstolos sentiram (At 5,41). Começava a Pastoral Libertadora.

Naquela década de 1960, os três bispos do Rio Grande do Norte publicaram uma circular, creio que pioneira, sobre as eleições, chamando a atenção dos cristãos sobre o valor da política para o bem comum, e denunciavam os vícios e crimes praticados pelos grupos econômicos. Foi adotado o lema: “Voto não se vende, consciência não se compra”. Isso chegou até as comunidades eclesiais de base. A emissora Rural dava cobertura e os violeiros cantavam esse tema. Aqui nós fizemos os 10 mandamentos do eleitor. (…)

Os trabalhos de evangelização não pararam. Os documentos do Concílio eram traduzidos em linguagem popular. Já havia anos que eu me convencera de que muita coisa que a gente ensinava não era compreendida por uma parte do povo, que tinha outra cultura. Um dia Zé Preto me disse: “A gente compreende tudo o que o senhor ensina, porque o senhor ensina, porque o senhor fala na língua da gente. O senhor não ensina nada errado”. (…)

Esse povo devia ser educado para ser sujeito e agente de seu desenvolvimento. Tendo isso em vista, aproveitamos as circulares dos bispos sobre as eleições, iniciamos aqui em 1972 a campanha de educação da consciência política, com uma cartilha, logo assumida pelo SAR, com o título “É tempo de Política” . O lançamento da carilha foi feito aqui, na Festa do Agricultor, que celebramos anualmente. Convidamos juízes do Tribunal Regional Eleitoral para explicar a Lei para toda a população. Foi um dia memorável!

Foi assim que a Festa do Agricultor se tornou, todos os anos, um momento forte de educação do povo. O exemplo desse trabalho passou de repente para outras dioceses e, em poucos anos, estava em todo o Brasil.

Fonte: livro “Pelos Caminhos do Potengi”, escrito por Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros, 2ª Edição, publicada em 2013 pela Editora Flecha do Tempo, em parceria com a Arquidiocese de Natal e com a UFRN. Transcrição feita por Silvério Filho, a partir das páginas 49-51

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