segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A canonização de Santa Dulce dos Pobres e uma breve consideração sobre a intercessão dos santos

Com a canonização da primeira santa brasileira, Santa Dulce dos Pobres, muitas dúvidas e equívocos surgiram nas redes sociais acerca do que é canonização e da possibilidade da intercessão dos santos a partir do disposto na Bíblia. Em razão disso, pretendemos trazer breves considerações acerca do tema. Quanto aos estudos mais aprofundados, estamos preparando para nossos leitores, a partir do próximo ano, uma série de artigos sobre doutrina católica, destinados àqueles que querem entender a fé que professam e àqueles que, embora não sejam católicos, desejam, de boa-fé, compreender o que de fato é o credo professado pelo catolicismo. 

Pois bem, o que primeiro deve ser esclarecido é que Irmã Dulce não passou a ser santa após a canonização: ela já era santa, a Igreja apenas declarou isto solenemente. Em outras palavras, a canonização tem efeito apenas de declarar uma situação de santidade preexistente. Por isso é possível afirmar, inclusive, que a grande maioria dos Santos que já estão na comunhão com Deus não foram canonizados, não porque não sejam santos, mas porque não se cumpriram os procedimentos necessários para sua declaração solene, dentre os quais se encontra a comprovação dos milagres.

Outro ponto a se esclarecer diz respeito à objeção mais famosa à intercessão dos santos: "Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. Logo, a intercessão dos santos não é possível". 

De fato, a Bíblia afirma que Jesus é o único mediador, mas tal passagem deve ser interpretada segundo seu contexto. É o contexto que dá sentido ao texto. E, segundo o contexto das passagens, aquela mediação é a mediação de salvação, ou seja, a salvação só vem pelo Sacrifício Perfeito de Cristo na Cruz. É por isso que sempre que Jesus é referido como mediador, fala-se também em salvação ou remissão dos pecados (eis aí o contexto). Vejamos: 

- 1 Timóteo 2:5,6 -  "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo".
Hebreus 9:15 - E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. 



Assim, Cristo é o Único Mediador da salvação e do perdão dos pecados. Contudo, em relação às graças em geral, a intercessão dos cristãos uns pelos outros, além de possível, é agradável ao senhor. E isto é possível porque estamos, pela fé, unidos a Cristo, como os ramos à videira, formando um só Corpo, uma família. Vejamos: 

- Efésios 2:19 - Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus;
- 1 Timóteo 2:1-3 - Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; (...) Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador;
- 1 João 5:16 - Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte.
 - Tiago 5:14,15 - Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. 

A intercessão também estava presente no Antigo Testamento, quando Moisés e os profetas intercediam pelo povo de Deus, ou quando Deus ordena que Elifaz de Temã, Baldad de Sué e Sofar de Naamã peçam pela intercessão de Jó, e apenas por conta da oração de Jó por eles que Deus os perdoa (Jó 42,8-9).

Como podemos ver, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, a intercessão é possível, e agradável aos olhos de Deus e isto, em nenhum momento, modifica o fato de que Cristo é o único salvador. Pelo contrário, a intercessão dos santos atesta as promessas de Cristo, quando deixou claro que os crentes faziam parte dos ramos da Videira, formando um só Corpo, do qual Cristo é a cabeça.

Por fim, sabemos que existem outras objeções à intercessão dos santos. O presente artigo focou-se apenas na principal. As demais serão esclarecidas no momento oportuno, na série de artigos sobre doutrina católica, aos quais nos referimos no início do texto.

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