sábado, 10 de agosto de 2019

Deive Leonardo e os problemas do cristianismo "coaching"

Por José Ibiapina

A nova febre no meio cristão, especialmente entre os jovens, é o chamado Cristianismo Coaching, cujas pregações ocorrem mais em teatros do que em igrejas. 

O "Cristianismo Coaching" caracteriza-se especialmente pelo humanismo e pela auto-ajuda: fala-se pouco de teologia, pouco de bíblia, pouco de moral. Não se fala de cruz, de necessidade de arrependimento, conversão, estudo e caridade. Ao contrário: foca-se no afago de egos, nas questões emocionais, parecendo Deus serve ao ser humano, e não o ser humano a Deus.

O nome mais famoso dessa "corrente" é Deive Leonardo, auto-intitulado como "bálsamo de cura para esta geração" [1], o qual cobrará o valor mínimo de "apenas" R$100,00 reais por cabeça, para aqueles que quiserem lhe ouvir no Teatro Riachuelo (https://www.teatroriachuelonatal.com.br/programacao.php?id=1377_DEIVE+LEONARDO).

Em seus vídeos publicados no Instagram,  a Palavra de Deus parece ser um pretexto para afagar os egos das pessoas, para resolver problemas emocionais pessoais, buscando saciar questões imediatas. 

Deive chegou a afirmar esses dias, por exemplo, que "nós somos o centro de todas as ações de Jesus" e que cada "um de nós é a pessoa mais importante do mundo".

Esse tipo de fala vem recebendo críticas de peso entre outros pastores, podendo-se citar Franklin Ferreira [2], Augustus Nicodemus [3] e Renato Vargens [4]. E as críticas batem justamente nesse ponto: o centro não é e nunca será o ser humano.

Com efeito, tudo que Cristo fez foi para glorificar ao Pai: "Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou" (Jo 4,34), devendo-se ter em mente, ainda, que o próprio Cristo é o fim de todas as coisas: "Pois Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas" (Rm 11,36). Ao compreender isso, percebemos que Cristo não morreu porque somos o centro da Missão de Jesus, mas sim para Glorificar ao Pai, fazendo conhecida a Sua Infinita Misericórdia.

Isso quer dizer que Deus não nos ama? É evidente que não é disso que se trata! Afinal, "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16). Ocorre que, diferentemente das pregações de Deive Leonardo, que focam nas pessoas dos ouvintes, no "eu particular" de cada um, Jesus nos chama a renunciar a nós mesmos, para que possamos carregar nossa Cruz e segui-Lo (Mt 16,24).

Mas por que, especialmente entre os jovens, a mensagem de Deive alcança tantos corações? A resposta, para mim, parece ser, além do desconhecimento das Escrituras, o medo da Cruz, o medo da dor, a vontade de ver sarados, imediatamente, a carência, os problemas físicos, financeiros e/ou psicológicos. Nesse contexto, especialmente os jovens esquecem que, para ganharmos a vida oferecida por Cristo, temos que perder nossa própria (Mt 16, 25).

A cruz, a dor e o sofrimento não são inimigos para os que creem, mas aliados. Sim, aliados, conforme testemunha o Apóstolo dos Gentios: "E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo" (2 Cor 12:7-9). As dores de São Paulo, então, passaram a ser revertidas em favor da própria conversão e da conversão dos membros da Igreja: "Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja" (Colossenses 1:24).

Então, irmãos, quando estivermos diante da cruz, não foquemos em nós, nas nossas necessidades ou na nossa suposta importância, mas oremos como orou o Senhor: "Pai, se possível, afasta de mim esse cálice; mas que seja feita Sua vontade, não a minha", estando sempre conscientes de que de Cristo, por Cristo e para Cristo são todas as coisas (Rm 11,36), e que a Graça de Deus nos basta (2 Cor 12,9).

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