quarta-feira, 8 de maio de 2019

Poema: O caminho do Sacerdote-Profeta


Autoria de José Ibiapina

Por entre a caatinga do sertão
Caminhava o sacerdote-profeta,
O padre Expedito:
Em seu corpo, a magresa
Em seu rosto, o sorriso
Em seu coração, o amor.

Contava de Zé Nordestino
Sujeito anônimo,
Um retrato vivo
Da exploração sertaneja,
Na construção semi-escrava
Do açude de Pataxó.

Dizia, de modo simples
Que possuía uma missão,
Humana e divina:
Reconciliar os homens entre si
e com Deus.

Na missão,
caminhava convicto de que,
quando do juízo,
A Misericórdia
Seria triunfante (Tg. 2,13)
E de que sua fé,
Se não tivesse obras,
De nada valeria (Tg 2,27).

Refutando Max Weber
Era, num só tempo, sacerdote e profeta.
Anulando a si mesmo,
Estava disposto a agir como o Apóstolo,
Alegrando-se nos sofrimentos
E completando no seu corpo
O que restava das aflições de Cristo
Em favor do povo de Deus (Cl 1,24).

Por isso, defendia os explorados,
Alimentava os famintos,
Dava de beber aos sedentos (Mt 25),
Monstrando sua fé pelas suas obras (Tg. 2,18)
E apontando para Jesus Cristo,
O Pão Verdadeiro (Jo 6)
Que haverá de saciar
Por toda a Eternidade,
Os famintos de Justiça (Mt. 5,6).

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