terça-feira, 14 de maio de 2019

20 anos da Adutora Monsenhor Expedito: Dia de lembrar do Profeta das Águas

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Por Silvério Filho

Figura única por essas bandas, Monsenhor Expedito soube como poucos (pouquíssimos!) compreender as necessidades e os sofrimentos do homem do campo, inclusive carregando também para si tais dores.

Em passagem marcante da obra "Pelos Caminhos do Potengi" (na qual o pároco retrata os seus 50 anos de sacerdócio), há o relato de uma cena que é responsável pela definitiva aproximação da sua fé com a realidade do povo. Diz ele: "O segundo acontecimento que determinou minha conversão, definitivamente, foi a seca de 53. Eu e cinco padres fomos com o padre Eugênio visitar o açude público 'Pataxó', no município de Açu. Lá chegando, pelas 10 horas, vimos um formigueiro humano de cassacos, carregando barro em caminhões e em costas de jumentos. Uma turma nos reconheceu, pois andávamos de batina, e correu ao nosso encontro, debaixo de um juazeiro. Um deles, parecendo ser o líder, foi nos dizendo: 'Seu vigário, tire nós dessa escravidão, pelo amor de Deus!'" [Pag. 26]

O Monsenhor relata que a partir desse momento, inevitavelmente, desceu do pedestal do qual ainda falava e começou a ver o mundo ao seu redor com os olhos do povo. Agindo assim, tornou-se defensor incondicional dos pobres, em especial dos que viviam no campo. Instalou escolas radiofônicas, comunidades eclesiais de base, além de arrecadações entre os paroquianos para ajudar as famílias de sertanejos mais necessitadas, sendo tal atitude embrião do que posteriormente, com ajuda de Dom Eugênio de Araújo Sales, viria a se tornar a Campanha da Fraternidade, de nível nacional.

O padre havia percebido que para evangelizar de modo efetivo a sua comunidade havia a necessidade de se falar a língua das pessoas mais humildes, conforme reconheceu Zé Preto, em trecho do já citado livro: "Um dia, Zé Preto me disse: 'A gente compreende tudo o que  o senhor ensina, porque o senhor fala na língua da gente'". [Pag. 41]

Padre Expedito, que havia começado sua vida eclesial com a missão de "conciliar os homens entre si e com Deus", assumira também uma tarefa política (mas não partidária), em prol da defesa do seu povo. Tal tarefa reservava ainda o seu maior desafio, a ser enfrentado na última década de vida, com mais de 70 anos.

A fim de levar às últimas instâncias a promessa que fizera ao sertanejo do açude de "Pataxó", dedicou os últimos anos de sua vida na "Cruzada" por uma adutora que banhasse com água doce os municípios da Região Potengi. 

Em audiência na cidade de Santa Cruz, no ano de 1993, em que estavam presentes o então Senador Garibaldi Filho e o Deputado Estadual Elias Fernandes, o Monsenhor fez com que os políticos sentissem um pouco do que passavam os sertanejos, conforme bem relata o jornalista Rubens Lemos Filho em artigo datado de 06/11/12, quando um dos integrantes da mesa das autoridades pediu um copo de água gelada e ele respondeu, firmemente: “Aqui ninguém bebe água. Os senhores estão passando pelo que o povo do sertão passa o ano inteiro. Que fiquem com sede, para que brote no coração de vocês a sensibilidade e a solidariedade para com os seus irmãos.”

Como consequência das discussões realizadas nestas audiências, foi publicada no Diário Oficial do Rio Grande do Norte do dia 19 de julho de 1997 a lei estadual 7.029/97, que instituía a Adutora Agreste/Trairi/Potengi, dispondo para esta, em seu artigo 1º, o nome de Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros. Suas águas, nos dias atuais, banham pelo menos 30 municípios e 271 comunidades .


Assim como Moisés, que guiou seu povo até a "Terra Prometida", mas não viveu suas benesses, o pároco de São Paulo do Potengi não teve muito tempo para vivenciar a vinda da água doce, tendo falecido em 16 de Janeiro de 2000, há 16 anos.  


Mas ele não precisava vivenciar a água doce. Não era por si que lutava, mas pelo seu povo. Lutara o bom combate do sacerdócio. Sua profecia estava cumprida; sua promessa, efetivada. Foi-se tranquilo para o lado de Deus, consoante escreve no final do último capítulo de "Pelos Caminho do Potengi", intitulado "Doente de querer bem": "Quando Deus me chamar, partirei mais maneiro do que quando aqui cheguei; irei 'escoteiro', como dizem os tropeiros, sem nenhuma preocupação material. A Jesus sejam dadas toda honra e toda glória. Amém." [Pág. 52]

Um comentário:

  1. Gostaria de saber quem tem estes livros sobre mosenhor expedito e spp para vende ainda?

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