quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Meditações Quaresmais com Dom Henrique Soares - Dia 07

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Dom Henrique

O blog passa a publicar, a partir de hoje, com a devida autorização do autor, as meditações quaresmais do Bispo de Palmares-PE, Dom Henrique Soares da Costa. Segue abaixo.

Dom Henrique Soares da Costa
Publicação Original pode ser vista aqui.

Retiro Quaresmal - “São estas as palavras...” 

Meditação 7 

Reze o Salmo 119/118,49-56 

Agora, leia com piedade e coração que escuta na fé Dt 4,9-43 

1. No Deuteronômio, muitas vezes, Moisés exorta o povo inteiro e cada israelita a vigiar sobre si mesmo: “Fica atento a ti mesmo… para não esqueceres!” (cf. vv. 9. 15. 23.39). Estar atento a si mesmo é constantemente viver e avaliar a própria vida à luz do Senhor, não se esquecendo Dele, de Sua Aliança e de Seus preceitos. A desatenção e o esquecimento são princípio de todo pecado: terminamos por esquecer tudo quanto o Senhor realizou por nós, esquecemos que Ele é um Deus presente, próximo de nós, reduzimo-Lo, então, a uma teoria, a uma ideia desbotada e distante e, não mais atentos a nós mesmos, com o coração fora de nós, começamos a viver do nosso modo e não mais do modo do Senhor. E, assim, matamos a nossa amizade com Deus! O resultado: a morte da alma, pior de todas as mortes! É isto que a Escritura deseja inculcar em nós quando fala em perder a terra, em ser dela expulso como consequência de esquecer o Senhor: a nossa verdadeira terra, a nossa verdadeira pátria é o próprio Senhor! Está longe Dele é morrer. Leia e medite, rezando, os vv. 25-43. 

2. Um tema que também aparece muito forte nestes versículos é a a questão das imagens de Deus e dos ídolos. Releia os vv. 10-24. Moisés começa recordando a teofania do Sinai: Israel ouviu o Senhor: ouvia, mas não via nada; não distinguia forma alguma de Deus: “Nada, além de uma voz!” Sendo assim, já que o Senhor Deus não mostrou Sua forma, Sua Imagem bendita, Israel não pode inventar uma forma para Deus, pois não seria a forma do Deus vivo e santo, mas de um ídolo. Foi o que aconteceu com o bezerro de ouro: Israel, ali, fez imagem do Senhor; mas, o Senhor não pode ser representado; Ele não mostrou a Sua forma! Aquele bezerro, portanto, não passava de um mísero ídolo, uma mentira, uma ilusão! Leia com atenção Ex 32,1-8. Diante disto, como se explica que os cristãos, desde logo cedo, já nos primeiros séculos, começaram a usar pinturas de imagens nos seus lugares de culto? Eis: enquanto na Antiga Aliança o Senhor Deus manifestou-Se ao Seu povo pela Sua Palavra, de modo que o mandamento por excelência é “Ouve, ó Israel!” (Dt, 6,4), na Nova e Eterna Aliança, “a Palavra-Verbo fez-Se carne” (Jo 1,14), a Palavra santa do Pai fez-Se visível, palpável (cf. 1Jo 5,1ss)! O próprio Senhor Jesus dirá a Filipe: “Quem Me vê o Pai!” (Jo 14,9); e di-lo-á precisamente como resposta ao pedido do apóstolo: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta!” (Jo 14,8). O Pai de Jesus, Deus santo de Israel, agora tem uma Imagem verdadeira: o Seu próprio Filho, que é Seu Verbo, Sua Palavra santa e eterna: “Ele é a Imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda criatura” (Cl 1,15)! É realmente profundo e impressionante: a Palavra que, na Antiga Aliança, somente podia ser ouvida, agora, além de ouvida, é para ser vista, contemplada; tanto que, nos escritos joaninos, ver o Senhor, contemplá-Lo significa crer; crer na Palavra! Leia o encantador capítulo 9 de São João: o cego que é curado para ver, isto é, crer em Jesus: “‘Crês no Filho do Homem?’... ‘Quem é, Senhor, para que eu creia?’ ‘Tu O vês: é Quem fala contigo!’ ‘Creio, Senhor!’” (Jo 9,35-38). Mas, para ver o Senhor, o que fora cego teve que deixar a sinagoga, a Antiga Aliança (cf. vv. 34s). Isto mostra bem o quanto é profundo o sentido do costume cristão de fazer imagens e venerá-las: são aptas para o culto do Deus vivo e verdadeiro, porque Ele mesmo nos deu Sua Imagem bendita: Jesus nosso Senhor, imolado e ressuscitado! Somente podem usar imagens no culto sem cair na idolatria aqueles que verdadeiramente acreditam que o Cristo Jesus “é a Imagem do Deus invisível” (Cl 1,15)! Então, o uso cristão das imagens está ligado à fé na Encarnação do Filho de Deus, que é Deus, da mesma substância do Pai, Deus de Israel, Deus do Sinai, Deus de Moisés! Talvez, alguém se pergunte: mas, e a imagem dos santos de Cristo? Seria lícito fazê-las? A resposta decidida é sim! Leia com atenção 1Cor 15,47-49! Aí, o Apóstolo explica de modo profundo que, enquanto o homem sem Cristo traz em si apenas a imagem do velho Adão, marcado pelo pecado, o homem novo, o cristão, nova criatura em Cristo (cf. 2Cor 5,17), traz em si a imagem do Cristo imolado e ressuscitado, Homem Celeste, que é Imagem do Deus invisível (cf. Cl 1,15; 2Cor 3,18; 4,4). Assim, os santos de Cristo, sendo imagens de Cristo, que é Imagem do Pai, podem ser representados também no culto cristão! Para os cristãos, o que está em jogo no culto às imagens é se a Encarnação do Filho de Deu é efetiva ou não, se Ele é divino, verdadeira e substancial imagem do Pai ou não e também se a imagem de Cristo que trazemos, na potência do Espírito, é algo real, efetivo, transformante, que nos faz participantes da natureza divina (cf. 2Pd 1,4), ou não! Portanto, na questão das imagens, nada a ver com as arengazinhas mesquinhas dos fundamentalistas sectários que, com a Bíblia debaixo do braço, escravos da letra, estão longe, muito longe, de compreender o que o Espírito diz à Igreja nas Escrituras santas! Quanto à idolatria, o cristão, como o judeu, deve rejeitá-la sempre, decididamente: nem acordo com orixás, nem com deuses de outras religiões, nem a idolatria de coisas, pessoas, situações… Só o Senhor é Deus e nada pode ocupar em nossos corações o lugar que somente a Ele pertence. A idolatria, destruindo a relação com o Deus verdadeiro, leva-nos a perder os dons de amor que Ele nos concede. Por isso mesmo, Deus previne Israel de que ele poderá perder tudo e ser disperso! E ainda mais: a idolatria reduz-nos à escravidão! Enquanto a relação com o único Deus verdadeiro nos liberta, a servidão aos ídolos nos escraviza e vazia o nosso coração. Leia os vv. 25-31. Comovente também é a disponibilidade incansável do Santo Deus de Israel em nos perdoar, em nos acolher quando voltamos de nossa infidelidades: “Irás procurar o Senhor teu Deus, e O encontrarás, se O procurares com todo coração e com toda a tua alma!” (v. 29). 

Reze o Sl 115/113B.

 3. Releia também os vv. 32-40. São uma verdadeira declaração de amor e de eleição do Deus único, Senhor de tudo, pelo Seu povo de Israel! Lembre: nós, pelo Batismo, incorporados em Cristo, somos herdeiros dessa eleição! Mas, tal graça é também uma responsabilidade: ser fiel ao Senhor, vivendo na Sua Palavra!

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