segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Monsenhor Expedito e o revestir-se nas entranhas da Misericórdia de Cristo

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Por Silvério Filho

O Papa São João XXIII, no parágrafo 3º da sua encíclica Mater et Magistra [1], assim ressaltou a dupla missão da Igreja fundada por Cristo: "3. De modo que a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e de as fazer participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida cotidiana dos homens, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múltiplos aspectos, dentro do condicionalismo das várias épocas".

Em suma, o Santo Padre disse que, embora a missão primordial da Igreja tenha a ver com a eternidade, isto não pode ser utilizado como pretexto a fim de se fazer vista grossa para problemas terrenos, cuja solução, à luz do Evangelho, também é missão dos cristãos. 

Monsenhor Expedito sabia bem disso. Antes mesmo da Mater et Magistra (datada de 1961),  ao avistar o formigueiro humano na construção do açude de Pataxó, em 53, ele havia percebido que algo deveria ser feito. Não era justo, à luz do Evangelho, que permanecesse omisso em face de tamanha miséria, não importando se, equivocada ou maliciosamente, fosse taxado de "comunista". 

Alertando-se para isso, o Monsenhor Expedito muniu-se das palavras de Santo Irineu, concluindo que "a maior glória de Deus é o homem vivo". Constatou que o Evangelho, que nos traz a luz do Cordeiro e da eternidade, deve também ser espelho para as nossas relações com a realidade terrena que nos circunda. Deste modo, em suas próprias palavras, percebeu a necessidade de "se revestir nas entranhas da Misericórdia do Nosso Senhor Jesus Cristo", o que demandava uma opção preferencial pelos pobres, indefesos e discriminados. 

Passou a ser um sacerdote-profeta, para utilizar os estudos do nosso Arcebispo Dom Jaime. Nunca incentivando a violência, pois esta, além de antievangélica, possibilitaria que o oprimido de hoje pudesse se tornar o opressor de amanhã. 

Humilde e manso de coração, com temor a Deus pregou e viveu as razões da esperança cristã (1 Pd 3,15), consciente de que, assim como dizia São Francisco de Sales, "atraem-se mais moscas com uma gota de mel que com um barril de vinagre". 

Há 17 anos, deixou-nos; "mais maneiro do que quando aqui chegou e sem nenhuma preocupação material", foi-se para a eternidade, com o sentimento de dever cumprindo, glorificando ao Pai e ciente de que "Jesus Cristo é o Senhor da história, e o mundo caminha para Deus".

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