quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A morte do leão Cecil, o neopaganismo e a decadência moral do ocidente

Homem coleta água em lugar sem tratamento em Harare, capital do Zimbábue
Homem coleta água em lugar sem tratamento, no Zimbábue
Por Silvério Filho

Por Silvério Filho

Um fato comoveu todo o mundo nesta última semana: o assassinato do leão Cecil. O animal vivia sob proteção do Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue, onde era monitorado por pesquisadores. Cecil, que além de ser muito querido pela população do país, era considerado um dos símbolos nacionais [1], foi assassinado pelo americano Walter Palmer, após ser atraído para fora do parque, onde a caça era proibida.

O ocorrido teve repercussão negativa mundial, ao ponto de a revista Veja se referir ao americano como sendo um dos homens mais odiados do mundo. [2] Tamanha repercussão, porém, é idiota. Desculpem-me a franqueza. Explicarei.

A atitude do americano é reprovável, pois matou um animal que, além de ser objeto de pesquisas científicas, era protegido legalmente. Neste sentido, portanto, a reprovação deve cair sobre o fato de ele ter burlado a lei, e não sobre o fato de ele ter matado o animal. Não é o que vemos na internet e nos demais meios de comunicação. O ódio ao Walter Palmer e a perseguição à sua pessoa têm sido fruto não da desobediência à lei, mas sim da morte do animal. Persegue-se um ser humano em sua própria casa, ameaçando-o, por este motivo, apenas . [3]

Esta inversão de valores salta aos olhos de qualquer pessoa de bom-senso. Os meios de comunicação, em sua maioria, contudo, parecem se preocupar mais com veiculação rápida de uma informação, do que dar atenção à necessidade de se fazer uma crítica minimamente sensata do ocorrido. Foi assim que conseguiu comover o mundo pela morte de um leão, desconsiderando que, no mesmo país onde morreu o animal, morrem pessoas aos milhares na miséria, governados há décadas por um ditador, criminoso, corrupto e que vive na riqueza, enquanto a população morre de fome. O nome do indivíduo Robert Mugabe (que inclusive já recebeu cerca de 250 milhões de reais do BNDES [4]). Mas a mídia preferiu enfatizar à morte de Cecil, em desprestígio do gigantesco sofrimento do povo do Zimbábue.

Isso é muito bem refletido pela indignação de uma moradora do país com a situação, conforme relatado pelo site Uol: " (...)Tem tantos problemas mais urgentes no Zimbábue, passamos por falta de água, não temos eletricidade, nem emprego... e as pessoas fazem esse barulho todo por um leão?". Ou outro que ainda diz: "Um defensor da democracia, Itai Dzamara, desapareceu há mais de quatro meses, mas isso não desperta o mesmo alvoroço internacional" [5]

Por trás dessa inversão de valores feita pela maioria da imprensa está uma concepção ética pagã: dá-se ao homem a mesma dignidade que se dá a um animal. O que não é correto. Ora, se é verdade que o homem não pode ter uma postura destruidora em face da natureza, pois esta também é criação de Deus, é bem verdade também que sua dignidade não pode ser comparada a de um animal, já que só o homem foi feito "a imagem e semelhança" do Criador. Assim, haveria uma hierarquia: Deus exerce soberania sobre o homem, que exerce soberania sobre a natureza, nos moldes permitidos por Deus. O problema é que o ocidente está tirando, irresponsavelmente, Deus, Aquele que tudo criou e tudo sustenta, da equação.

Ao fazer isso, perdemos o norte moral. Não existe certo nem errado. Tudo é relativo. Pode-se sustentar, tanto que a criação pode ser destruída irrestritamente, pois o homem é dono da criação (o que não é verdade), quanto que a criação tem a mesma dignidade do ser humano, já que não existe Deus que o fez à sua imagem e semelhança. Abre-se a porta (ou melhor, escancara-se) para o neopaganismo, para a decadência moral da civilização que foi construída pautada na moralidade e na cultura judaico-cristã. E a repercussão dada ao assassinato de Cecil é um sintoma disto: homens, mulheres e crianças sofrem despercebidamente, enquanto o assassinato de um animal é hipervalorizado. 

Calha bem neste momento uma frase do escritor inglês G.K. Chesterton "quando os homens deixam de acreditar em Deus, não significa que eles passam a acreditar em nada; eles passam a acreditar em qualquer coisa". Abre-se a possibilidade de se chegar ao extremo de Hitler, que matava pessoas inocentes de modo impiedoso, ao passo que não podia suportar a tortura de um animal. [6]

É por essas e outras que não se deve confiar em quem se preocupa mais com bicho do que com gente. 

[1] http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/a-terrivel-historia-do-leao-cecil-morto
[2] http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/cacador-de-cecil-de-dentista-anonimo-a-um-dos-homens-mais-odiados-do-planeta/
[3] http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/07/eua-abrem-inquerito-sobre-morte-do-leao-cecil-no-zimbabue.html
[4] http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/09/1345489-brasil-libera-credito-a-ditador-do-zimbabue.shtml
[5] http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2015/08/05/atingidos-pela-pobreza-zimbabuanos-estranham-comocao-mundial-com-morte-de-leao.htm
[6] https://padrepauloricardo.org/episodios/padres-podem-cacar

0 comentários:

Postar um comentário

Sua postagem dependerá do Moderador do Blog.

Não publicamos comentários sem assinatura (Anônimos).

Obrigado pelo comentário. Sua ajuda faz nosso trabalho melhor.
_____________________________
Equipe do Blog do Silvério Alves

LAPAC

LAPAC

ALEX SUPERMERCADO E PADARIA

ALEX SUPERMERCADO E PADARIA

AUTORIZA SEGUROS

AUTORIZA SEGUROS

UNIFARMA BENTO

UNIFARMA BENTO

SALVAGGIO PERFUMES

SALVAGGIO PERFUMES
Instagram: @SALVAGGIOPERFUMES

ACADEMIA FORÇA E SAÚDE

ACADEMIA FORÇA E SAÚDE

Arquivo

.

.
Tecnologia do Blogger.